O Rancho Aroeira no meio do pasto, telhado vermelho e primavera florida em primeiro plano
A história da casa

Começou com um homemreparando no chão

Contado por João José de Assis Rangel, dono da casa

A água acumulada no terreno vizinho ao Rancho Aroeira, com primavera florida ao lado
A água que ele previu, do lado de fora da cerca

A ideia não foi minha

Quem viu primeiro foi meu pai, Gilberto Paes Rangel. Ele olhou para esta faixa de chão na BR 356 e reparou numa coisa que ninguém achava importante: aqui o terreno é mais alto que a vizinhança inteira.

Numa região que alaga quando a chuva aperta, esse palmo a mais é o que separa um lugar que fica de um lugar que vai embora. Ele disse que dali sairia alguma coisa. Eu tinha 18 anos e guardei a frase.

Corte do terreno do Rancho AroeiraDesenho em corte da faixa de terra na BR 356. O chão é baixo nas duas pontas e sobe num morrinho no meio. Quando a chuva alaga a região, a água cobre as pontas e para abaixo do morrinho, onde o Rancho Aroeira foi construído.O PALMOA MAISO RANCHOATÉ ONDE A ÁGUA SOBE
O terreno em corte, com o desnível exagerado para caber no desenho. As pontas alagam, o meio não — é a única razão pela qual a casa está exatamente aqui, e não duzentos metros adiante.

Entre a frase e a brasa

Quarenta e um anos

18Ouvi meu pai
59Acendi o fogo
A vida foi passando. A frase não passou.
O que aprendi, e com quem

Duas escolas numa pedra só

O terreno do Rancho Aroeira com o lago ao lado e o salão ao fundo
O chão

Gilberto Paes Rangel

Meu pai

Ensinou a olhar o chão antes de decidir o que vai em cima. Não falava em negócio, falava em terra que aguenta. O que ele deixou não é uma receita: é um ponto exato, e ele acertou.

Panela de ferro com bifes, linguiça, banana e cebola servida na mesa do Rancho Aroeira
O corte

Roberto Garcia

Argentino

Entendia de corte como pouca gente, e para ele corte era assunto sério, não detalhe de açougue. Aprendi ali o que é ponto e o que é paciência. O que ele ensinou continua no cardápio, com o nome que ele usava.

O que virou

Um domingo comum

Panela de cobre com bifes, banana, linguiça e cebola, ao lado do prato de arroz e feijão
A panela chega inteira e cada um se serve
O Rancho Aroeira ao fim da tarde com os carros estacionados no gramado
Domingo, meio-dia
Bule de ágata branco sobre a mesa de madeira, na varanda aberta para o campo
O café fica pronto o dia todo
Tábuas de madeira com o nome Rancho Aroeira gravado, ao lado do forno de tijolo
As tábuas são da casa
Primavera magenta cobrindo o telhado de zinco vermelho contra o céu azul
A primavera tomou o telhado
O Rancho Aroeira visto de longe, telhado vermelho no meio do pasto verde
Do portão, é só isto no meio do campo

A casa hoje

Três dias por semana, só no almoço

Sexta, sábado e domingo, das 11h30 às 15h30. A pedra sobe a 350 °C, a peça sela na hora e vai para a mesa ainda cozinhando — o ponto quem dá é você. Do jeito que fui aprendendo, e ainda vou.

Meu pai apontou o chão. Roberto ensinou o corte. O fogo é meu.