
Gilberto Paes Rangel
Meu pai
Ensinou a olhar o chão antes de decidir o que vai em cima. Não falava em negócio, falava em terra que aguenta. O que ele deixou não é uma receita: é um ponto exato, e ele acertou.

Contado por João José de Assis Rangel, dono da casa

Quem viu primeiro foi meu pai, Gilberto Paes Rangel. Ele olhou para esta faixa de chão na BR 356 e reparou numa coisa que ninguém achava importante: aqui o terreno é mais alto que a vizinhança inteira.
Numa região que alaga quando a chuva aperta, esse palmo a mais é o que separa um lugar que fica de um lugar que vai embora. Ele disse que dali sairia alguma coisa. Eu tinha 18 anos e guardei a frase.
Entre a frase e a brasa
A vida foi passando. A frase não passou.

Meu pai
Ensinou a olhar o chão antes de decidir o que vai em cima. Não falava em negócio, falava em terra que aguenta. O que ele deixou não é uma receita: é um ponto exato, e ele acertou.

Argentino
Entendia de corte como pouca gente, e para ele corte era assunto sério, não detalhe de açougue. Aprendi ali o que é ponto e o que é paciência. O que ele ensinou continua no cardápio, com o nome que ele usava.






A casa hoje
Sexta, sábado e domingo, das 11h30 às 15h30. A pedra sobe a 350 °C, a peça sela na hora e vai para a mesa ainda cozinhando — o ponto quem dá é você. Do jeito que fui aprendendo, e ainda vou.
Meu pai apontou o chão. Roberto ensinou o corte. O fogo é meu.